quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sob o peso da chuva

E a chuva molhando meu signo, meu chácara. O início e o fim de todos os meus desesperos e de toda a minha guia.
Caindo com a fúria dos amantes desesperados que lançam seus corpos ao abismo do beijo no cerne da carne.
Caindo sobre o meu telhado que não abro para que entre a chuva. A minha alma de telhado foge para o olho do redemoinho de vento, mas volta correndo abrigada no quarto que a acolhe seca. Volta porque quer aconchegar-se na normalidade de todos os sóis e das chuvas revoltas por detrás da janela.
Fica-me o cheiro frio, que não é de barro no meio de tanto concreto erguido.
Fica a chuva caindo no berço de quem nasceu para morrer de frio e a terra molhada em algum lugar, que não meus pés.

domingo, 19 de julho de 2009

Altar

Ela entrou vestida de branco. Diziam-na noiva.
Cada passo era tão aveludado que diriam pisar em nuvens.
Sustentou o olhar num ponto fixo para não cair.
Quase tropeça, mas segue soberba.
As sobrinhas de tranças
Os pajens, nem lembrava mais os nomes.
Um salto alto
Branco
Um salto para o alto, donde não media chão.
Para que chão? Um tapete vermelho era quase tudo
Tudo eram os ornamentos de margaridas e floresinhas do campo.
A felicidade despencada na nave tão próxima... e ela já voava
Todos eram formiguinhas... um séquito?
Algo assim
Faltava-lhe a coroa.
Chegada ao altar, Jorge.
Piscou os olhos, quase borrando a maquiagem,Voltou ao chão, respirou fundo e casou-se.