quarta-feira, 18 de agosto de 2010

"Tempo de Travessia"

Eis que a poesia se abre em verso...Toda prosa!!!
Fiquem calmos que não vou postar aqui poesia para afelicidade da msioria. Só estou ainda na vibe da capa de aniversário da Playboy com a Cléo Pires tatuada em rena pelos versos de Fernando Pessoa.
Lá estava eu pegando meu jornal, aqui na banca da frente, quando chegam duas jovens. A mais novinha era a típica colegial, com espinhas em franca erupção pelo rosto e usava rabo de cavalo. A menos jovem apertava uma apostila de preparação para concurso público contra os peitos, como se quisesse fazê-los acompanhar o volume dos da Cléo, que ambas olhavam e comentavam na Playboy exposta: "Meu primo disse que o poema é de Fernando Pessoa e fala em tirar a roupa..."
Pois eis que dentre tantos heterônimos, Pessoa devia ter um punheteiro de plantão, ainda desconhecido pelo grande público, que ao invés de ficar divagando sobre tempos de travessia, certamente devia saber dar bons conselhos de como passar em concursos públicos concorridíssimos, em que trezentas pessoas disputam uma vaga ou como ser um funcionário exemplar, coisas que ele certamente tentou ser não muito bem sucedidamente! Este mesmo heterônimo deve ter escrito o protótipo de um blog de auto-ajuda que nos fizesse mais conformados e enformados na nossa busca incessante por uma tão propagada estabilidade em plena dita pós-modernidade caótica...
Mas se Pessoa despiu a Cléo ou se a Cléo vestiu Pessoa pouco importa! O primo da moça já disse que ele, com muita propriedade, mandou-a tirar a roupa! Então, que se abra o verso...ou quem quiser que tatue outro!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sob o peso da chuva

E a chuva molhando meu signo, meu chácara. O início e o fim de todos os meus desesperos e de toda a minha guia.
Caindo com a fúria dos amantes desesperados que lançam seus corpos ao abismo do beijo no cerne da carne.
Caindo sobre o meu telhado que não abro para que entre a chuva. A minha alma de telhado foge para o olho do redemoinho de vento, mas volta correndo abrigada no quarto que a acolhe seca. Volta porque quer aconchegar-se na normalidade de todos os sóis e das chuvas revoltas por detrás da janela.
Fica-me o cheiro frio, que não é de barro no meio de tanto concreto erguido.
Fica a chuva caindo no berço de quem nasceu para morrer de frio e a terra molhada em algum lugar, que não meus pés.

domingo, 19 de julho de 2009

Altar

Ela entrou vestida de branco. Diziam-na noiva.
Cada passo era tão aveludado que diriam pisar em nuvens.
Sustentou o olhar num ponto fixo para não cair.
Quase tropeça, mas segue soberba.
As sobrinhas de tranças
Os pajens, nem lembrava mais os nomes.
Um salto alto
Branco
Um salto para o alto, donde não media chão.
Para que chão? Um tapete vermelho era quase tudo
Tudo eram os ornamentos de margaridas e floresinhas do campo.
A felicidade despencada na nave tão próxima... e ela já voava
Todos eram formiguinhas... um séquito?
Algo assim
Faltava-lhe a coroa.
Chegada ao altar, Jorge.
Piscou os olhos, quase borrando a maquiagem,Voltou ao chão, respirou fundo e casou-se.